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Ansiedade pré-natal: o que o psicólogo precisa saber a esse respeito

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O Ciclo Gravídico Puerperal é marcado por alterações emocionais, características deste período, com possibilidade de desencadear transtornos psíquicos significativos, comprometendo a saúde mental da mulher. Tais alterações, frutos de fatores sociais e psicológicos, podem influenciar o desenvolvimento da gestação, assim como o bem-estar e saúde da mãe e do feto. Entre os fatores psicológicos que, geralmente, implicam em complicação durante gestação, parto e puerpério, podemos citar a alta ansiedade. 

A ansiedade no ciclo gravídico puerperal é considerada comum, porém níveis de ansiedade elevados durante o mesmo é considerados fator de risco para nascimento prematuro e baixo peso (CONDE; FIGUEIREDO, 2003; ALDER et al., 2007; BENER, 2013), pré-eclâmpsia e mecônio no líquido amniótico (KURKI et al., 2000), além de ser um indicativo para ansiedade e depressão puerperal (BROUWERS; VAN BAAR, 2001; O’CONNOR, 2003; FAISAL-CURY et al., 2010; COELHO et al., 2011 ). 

Pesquisas têm revelado que é no terceiro trimestre de gestação que as gestantes apresentam maior ansiedade, comparando com os anteriores, principalmente quando é a primeira gravidez (MALDONADO; DICKSTEIN, 2010; BAPTISTA; BAPTISTA; TORRES, 2006). 

Pesquisadores têm chamado a atenção para o fato de que a ansiedade pré-natal ocorre com frequência e, muitas vezes, confunde-se ansiedade com depressão. Ressaltam que é comum haver dificuldades na avaliação da ansiedade, pois há superposição dos sintomas desta com os sintomas depressivos (ANDRADE; GORENSTEIN, 1998; RIBEIRO; HONRADO; LEAL, 2004). A ansiedade e a depressão são constructos independentes, mas é reconhecida a sobreposição de sintomas. 

Os sintomas, relativamente inespecíficos que estão presentes tanto em indivíduos ansiosos como depressivos, são: humor deprimido e ansioso, insônia, desconforto ou insatisfação, irritabilidade e dificuldades de concentração. Por outro lado os sintomas específicos da ansiedade são tensão somática e hiperatividade e os da depressão são anedonia e ausência de afeto positivo 

O suporte social é fator protetivo no período gestacional, como forma de se prevenir sintomatologias depressivas e ansiosas na grávida (BAPTISTA; BAPTISTA; TORRES, 2006; CHUNG et al. 2001), bem como a prevenção de nascimento baixo peso (HODNETT; FREDERICKS; WESTON, 2010). Maior participação do parceiro na gestação pode diminuir a ansiedade (BRAJENOVIĆ-MILIĆ et al., 2010). 

Portanto, apesar de sintomas ansiosos serem comuns no período gestacional, a alta ansiedade pode levar à complicações tanto para a mãe como para o bebê/feto. É preciso que nós psicólogos possamos oferecer um olhar diferenciado para esse período do ciclo vital humano, chamado de período perinatal. Não podemos mais assim como outros profissionais da saúde negligenciar esse momento que não é como o senso comum diz, ou seja, um momento de felicidade plena e satisfação, devemos reconhecer que estar grávida é estar também passando por mudanças além de físicas também emocionais e comportamentais que exigem de nós um olhar mais atento e empático, sem julgamento e sem negligenciar o fato que para muitas esse momento pode ser o mais crítico de sua vida. 

Referências

ALDER, J et al. Depression and anxiety during pregnancy: a risk factor for obstetric, fetal and neonatal outcome? A critical of the literature. J. Matern. Fetal Neonatal Med. v.20, n.3, p.189-209, Mar. 2007.

ANDRADE, L. H. S. G; GONRENSTEIN, C. Aspectos gerais das escalas de avaliação de ansiedade. Rev. Psiq. Clin, São Paulo, v. 25, n. 6, p. 285-290, nov/dez. 1998. 

BAPTISTA, M. N; BAPTISTA, A. S. D; TORRES, E. C. R. Associação entre suporte social, depressão e ansiedade em gestantes. PSIC Revista de Psicologia, Vetor Editora, Campinas, v.7, n.1, p.39-48, jan./jun. 2006. 

BENER, A. Psychological distress among mothers of preterm infants and associated factors: a neglected public health problem. Revista Brasileira de Psiquiatria , v.35, n.3, p. 231-236, Jul./Sep. 2013.

BRAJENOVIĆ-MILIĆ, B; DORČIĆ, T. M; KULJANIĆ, K; PETROVIĆ, O. Stress and anxiety in relation to amniocenteses: do women who perceive their partners to be more involved in pregnancy feel less stressed and anxious? Croat Med J. v.51, n.2, p. 137-143, apr. 2010. 

BROUWERS, E.P.M.; VAN BAAR, A.L.; POP, V.J.M. Maternal anxiety during pregnancy and subsequent infant development. Infant Behav. Dev. ,v.24, n.1, p.95-106, 2001.

CHUNG, T. K. H et al. Antepartum depressive symptomatology is associated with adverse obstetric and neonatal outcomes. Psychosomatic Medicine, v.63, p.830-834, 2001. 

COELHO, H.F et al. Antenatal anxiety disorder as a predictor of postnatal depression: a longitudinal study. J. Affect Didord. v.129, n.1-3, p.348-353, Mar. 2011. 

CONDE, A; FIGUEIREDO, B. Ansiedade na gravidez: fatores de risco e implicações para a saúde e bem estar da mãe. Revista dePsiquiatria Clínica , São Paulo v. 24, n. 3, p.197-209, 2003.

FAISAL-CURY, A. et al. Common mental disorders during pregnancy and adverse obstetric outcomes.J. Psychosom. Obstet Gynaecol. , v.31, n.4, p.22-235, Dec. 2010. 

HODNETT, E. D; FREDERICKS, S; WESTON, J. Support during pregnancy for women at increased risk of low birth weight babies. Cochrane Database of Systematic Reviews , n.9, 2010. 

KURKI, T. et al. Depression and anxiety in early pregnancy and risk for preeclampsia. Obstet.Gynecol., v.95, n.4, p.487-490, Apr. 2000.

MALDONADO, M. T; DICKSTEIN, J. Nós estamos grávidos. São Paulo: Integrare, 2010.

O’CONNOR, T.G. Maternal antenatal anxiety and behavioural/emotional problems in children: a test of a programming hypothesis. J. Child Psychol. Psychiatry, v.44, n.7, p.1025-1036, Sep. 2003. 

RIBEIRO, J. L. P; HONRADO, A; LEAL, I. Contribuições para o estudo da adaptação portuguesa das escalas de ansiedade, depressão e stress (EADS) de 21 itens de Lovibond e Lovibond. Psicologia, Saúde & Doença, v.5, n.2, p.229-239, 2004.