Um dos principais motivos de alterações emocionais no segundo trimestre gestacional é a descoberta do sexo do bebe

Psicologia Perinatal
A Um dos desejos mais frequente de gestantes/casal grávido e seus familiares é conhecer o sexo do bebê. Muito tempo antes da invenção do ultrassom, a humanidade já se preocupava em tentar descobrir antes do nascimento, o sexo da criança. Hoje com o avanço da tecnologia é possível conhecer o sexo do bebê de forma precisa cada vez mais cedo. Entretanto conhecer o sexo do bebê nem sempre é motivo de alegria para algumas gestantes.

Conhecer o sexo do bebê pode tanto ser um evento positivo como negativo dependendo da história de cada gestante. A transição para a parentalidade inicia-se muito antes da gravidez, iniciasse na infância. Que menina nunca brincou de boneca? Brincar de boneca é identificar-se com o papel de mãe, é internalizar por meio da brincadeira as funções maternas, muitas meninas cuidam e até mesmo dão nome as sua bonecas/filhas.

As fantasias a respeito da maternidade não acabam na infância, apenas iniciam nela. Ao longo da vida da mulher, um bebê imaginado a acompanha em suas fantasias. Desde muito antes de engravidar, portanto, mulheres imaginam-se mães de uma criança com determinadas características e em muitos casos imaginam-se mães de uma menininha ou de um menininho, muitas vezes até já com nome. É desde a infância, portanto, que muitas mulheres vão construindo sua identidade materna que será colocada em prática quando em fim se tornar mãe.

Quando finalmente essa mulher engravida, as fantasias que a acompanharam ao longo de sua vida se tornam cada vez mais intensas. Uma mulher que desejou ser mãe de uma menina e o resultado do ultrassom for que essa será mãe de um menino, ou vice versa, pode levar a mulher a entristecer. Sentir essa tristeza é perfeitamente normal. A tristeza pode ser entendida como uma fase de luto, onde a gestante deverá fazer o luto pelo bebê idealizado, podendo dar lugar para o bebê real.

Em geral, parte das gestantes conseguem fazer esse luto de forma tranquila e saudável, entretanto, para outras esse processo de luto pode não ser solucionado de forma tranquila, podendo inclusive levar a mulher a apresentar sintomas depressivos após o conhecimento do sexo do bebê. Muitas mulheres nessa situação em geral acabam sendo tomadas por um sentimento de culpa e vergonha, pois não aceitam o fato de não aceitarem o sexo da criança e acabam se isolando e não falando sobre esse sentimento com outras pessoas por medo de serem julgadas e não serem compreendidas.

Se a mulher continuar a não conseguir fazer o luto pelo bebê idealizado, essa poderá, portanto, adoecer e a probabilidade de apresentar uma depressão pós-parto aumentará, portanto, é preciso que haja espaço na sociedade para mulheres poderem falar sobre esses sentimentos negativos em relação às vivencias gestacionais. É preciso que não só os familiares e amigos próximos da gestante possam acolhê-la, como também nós profissionais da saúde mental devemos ter empatia para com este sofrimento psíquico da gestante e oferecer acolhimento, principalmente aos sentimentos que não são socialmente aceitos. Dessa forma, a gestante poderá se sentir mais a vontade para procurar um psicólogo para conversar sobre tais sentimentos e elaborar de forma mais saudável o luto pelo sexo do bebê idealizado.