dezembro 22, 2021

Natália Silva de Vargas CRP 07/29899

O puerpério geralmente é um período muito temido pelas famílias. Por longos anos falamos sobre Depressão Pós-Parto como a única ou talvez mais comum alteração no pós-parto, mas hoje já sabemos que várias alterações emocionais já começam na gestação e podem na verdade, se cristalizar no período após o parto do bebê. Cresce o número de gestantes que apresentam alterações emocionais, e hoje já entendemos os benefícios de iniciar uma intervenção já nessa fase da vida da mulher, visando auxiliar essa família a se organizar melhor para chegada do bebê.

O acompanhamento gestacional psicoeduca a gestante e sua rede de apoio frente às alterações emocionais mais comuns desse período, acolhe as demandas especificas que possam surgir nesse momento, busca trabalhar as mudanças de papéis tanto dessa mulher quanto da sua família, facilitando então com que cada um saiba o seu lugar na dinâmica familiar quando esse bebê chegar. Mulheres que já tiverem algum tipo de alteração emocional em outro momento da vida (ansiedade, depressão, estresse…) possuem fator de risco para apresentarem recaídas nesse momento – claro que não é um fator isolado que tornaria isso realidade, mas pode ser um complicador.

Portanto, a acompanhamento gestacional preventivo é de extrema importância e pode evitar que problemas maiores se cristalizem. Sabemos hoje que uma a cada quatro gestantes apresentam alguma alteração emocional, e isso gera impactos na vida tanto da mãe quanto do bebê. Há um mito de que a gestação é um momento leve e feliz, onde a mulher estará plenamente realizada e completa, mas na prática não é bem assim. Uma gestação implica reajustamentos que nem sempre são fáceis de realizar, demandando e muito daquela mulher e daquele corpo que gesta.

Portanto, é normal sentir um pouco de ansiedade neste momento da vida. O que não é normal é vivenciar altos índices de ansiedade. O parto, por exemplo, é uma experiência que pode deixar algumas mulheres receosas ou com medo, então é necessário – para algumas – um manejo frente às emoções que essa vivência pode despertar. A gestação é momento de preparação, portanto, conhecer os processos físicos e psicológicos que ela acarreta, saber quando e como buscar ajuda, se empoderar do seu corpo e entender seus sentimentos é fator fundamental para a forma como essa mulher vai sentir sua maternidade.

O pós-parto pode e deve ser pensado já na gestação. É essencial que a mulher saiba o que é o baby blues, como conseguimos diferencia-lo de uma depressão e qual é o papel dessa rede de apoio nesse momento. Muitos familiares ficam confusos e temem pelas alterações emocionais das mães acreditando que emoções esperadas podem ser algo mais grave.

Precisamos de profissionais sérios que consigam psicoeducar essa família para que se sintam seguros e confiantes, sabendo muito bem o que esperar desse processo e dessa mulher nesse período. Por fim, um acompanhamento gestacional pode prevenir inúmeras questões que serão difíceis de lidar neste pós, favorecendo a comunicação e o entendimento dessa família do que é normal e esperado e do que precisamos ficar atentos.

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