março 5, 2021

Texto: Andressa Cristina Trevisan – CRP 08/27579

O período gestacional, a princípio se romantiza na visão de ser um
período de alegria, da chegada da maternidade, da conquista da gravidez tão sonhada, da nova etapa da vida e da família, porém há que se considerar que é um período de muitas mudanças e nem todas podem ser compreendidas pela gestante como algo positivo, desenvolvendo na mesma um sentimento de tristeza ou ansiedade em vez de alegria e esses sentimentos podem prolongar-se após o parto e trazer danos à saúde da mãe, como a depressão pós-parto (CAMACHO et al. 2006).

De acordo com o site do Ministério da Saúde, a depressão pós-parto
acomete mais de 25% das mães no Brasil, sendo um índice tão alto, é
verdadeiramente importante que se problematize e discuta a questão que se torna um problema de saúde pública, tendo em vista que os quadros de
depressão pós-parto exercem influência direta no âmbito familiar e no
desenvolvimento e cuidado do recém-nascido (BRASIL, 2020).

A depressão pós-parto é multifatorial, ou seja, esta atrelada a inúmeros
fatores, tais como histórico de sintomas depressivos, intercorrências na
gestação ou parto, luto, problemas com a saúde do bebê, dificuldades de
relacionamento e outros fatores relacionadas ao histórico de vida da mãe e
contexto no qual ela se insere, profissional, familiar, social, entre outros
(AZEVEDO et al. 2000).

Os sintomas mais comuns da depressão pós-parto são mau-humor,
irritabilidade, alterações no apetite e no sono (mesmo nas horas em que o bebê está dormindo, a mãe sente dificuldades para descansar), falta de energia e cansaço exacerbado, desespero e dificuldades para prover os cuidados do bebê adequadamente, além de choro constante, tristeza e culpa (AZEVEDO e tal. 2000).

Nos casos mais graves, apresentam prejuízos na interação entre
mãe e bebê, prejuízos preocupantes no atendimento das necessidades do
recém-nascido, além da interação psicossocial e afetiva ficar prejudicada,
tornando o clima afetivo vulnerável, além de aumentar os riscos de infanticídio (CARLESSO; DE MORAES; DE SOUZA, 2020).

Atualmente, a psicologia corporal pode contribuir significativamente no
tratamento da depressão pós-parto, porém, o ideal é que seja trabalhado a
prevenção dessa condição com o acompanhamento psicológico ainda na fase da gestação, o que trará benefícios ao longo da gestação e puerpério, além de evitar que sejam tomadas medidas mais drásticas como uso de fármacos (CAMACHO et al. 2006).

O acompanhamento psicológico preventivo em Psicologia Corporal é
realizado através do acolhimento da mãe na manutenção do suporte
emocional, compreensão e auxílio nas questões relacionadas à relação entre mãe e filho e cuidados do bebê e vai além, considerando as questões corporais que influenciam a depressão, pois uma pessoa deprimida tem sua mobilidade reduzida, assim como suas funções corporais, rigidez muscular e limitação na respiração (HEIL; SANTOS, 2011).

De acordo com Lowen (1982), a boca, garganta e braços são os canais
de comunicação do coração e uma mãe deprimida tem seu corpo tensionado e os canais de comunicação do seu amor não conseguirão transmitir ao bebê o amor que ele precisa nos diversos atos ao longo do dia, principalmente os de tocar o bebê a amamentá-lo.


A Psicologia Corporal entende que é imprescindível que além de a
pessoa deprimida poder sentir e expressar seus sentimentos, é necessário que a mãe se reencontre com seu corpo e tenha o máximo de proveito da vida que há nele. Trabalha-se também o aumento do nível de energia permitindo-se respirar livremente através de técnicas específicas da Psicologia Corporal que vão além dos exercícios respiratórios tradicionais, englobando técnicas de autoexpressão através de movimentos, falas e exercícios oculares (HEIL; SANTOS, 2011).

Ao passo que a mãe abraça o processo terapêutico poderá trabalhar
para que seu equilíbrio psíquico seja alcançado, gerando movimentos
necessários entre a energia gerada e consumida, podendo encarar o medo
que a maternidade lhe causa e contornando assim as dificuldades e traumas vividos que porventura venham a se manifestar no exercício da sua maternidade, encorajando-a a assumir suas tarefas de cuidado do bebê, na interação saudável com ele e com a família, tendo em vista que para um resultado mais positivo, os familiares poderão ser envolvidos no processo
terapêutico e mãe deixará de sentir-se sozinha (HEIL; SANTOS, 2011).

Referências

AZEVEDO, Elisa Cardoso et al . Leitura materna sobre depressão pós-parto e
sintomas psicofuncionais: um caso de psicoterapia mãe-bebê. Psicol. clin., Rio de Janeiro, v. 32, n. 1, p. 79-100, abr.  2020. Disponível em:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
56652020000100005

BRASIL. Ministério da Saúde. Depressão pós-parto: causas, sintomas,
tratamento, diagnóstico e prevenção. Brasil. Acesso em 15 maio 2020.
Disponível em: < https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental >

CAMACHO, Renata Sciorilli et al. Transtornos psiquiátricos na gestação e no
puerpério: classificação, diagnóstico e tratamento. Archives of Clinical
Psychiatry (São Paulo), v. 33, n. 2, p. 92-102, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101 60832006000200009&script=sci_arttext >

CARLESSO, Janaína Pereira Pretto; DE MORAES, Anaelena Bragança; DE
SOUZA, Ana Paula Ramos. Experiência da maternidade e Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDIs). Research, Society and Development, v. 9, n. 2, p. 33, 2020.

HEIL, Celly Marina; SANTOS, Nayane Gonçalves. A depressão pós-parto sob
enfoque da bioenergética. In: VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara
(Org.). Anais. 16º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS
CORPORAIS. Curitiba/PR. Centro Reichiano, 2011.
LOWEN, Alexander. Bioenergética. 10ªed. São Paulo: Summus, 1982.

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