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maio 5, 2021

Texto: Lúmia Pedrosa Pereira – CRP 01/22740

A palavra adotar provem do latim”adoptare”, que significa considerar, cuidar, escolher.  A adoção representa a possibilidade de ter e criar filhos para pais que por limitações biológicas ou como uma forma de opção decidem pelo cuidado de crianças ou adolescentes com quem não possuem ligação genética. E para as elas, é uma forma de ter uma família para aquelas que não podem, por alguma questão, ser criadas pela família biológica. O ser humano possui algumas características essenciais e uma delas é a vontade da procriação e continuação por meio da experiência da maternidade e paternidade.

Porém, não são todas as famílias que apresentam uma continuidade biológica e as relações parentais que se constituem se formam especificamente nas interseções afetivas. Desde a antiguidade, praticamente todos os povos praticavam o intuito da adoção, acolhendo crianças como filhos naturais no seio das famílias. 

A adoção possibilita a criança ou ao adolescente um lar permanente e uma base social segura que vai ao encontro de suas necessidades básicas. Se ela não teve condições de ser criada pelos seus genitores é primordial que possam crescer em um lar que lhe ofereçam segurança e equilíbrio. Por melhores que sejam as instituições, elas não podem oferecer ao sujeito as condições necessárias para se desenvolver de modo adequado na esfera afetivo, só os cuidados físicos não são satisfatório para proporcionar um desenvolvimento emocional adequado. Crianças e adolescentes necessitam de pais, de afeto de uma família que lhe olhem na sua subjetividade.

Entretanto, a adoção não pode acontecer como uma forma de caridade ou de ajuda, a criança ou ao adolescente, mas sim, como um desejo de se ter um filho. É preciso que ele sinta e tenha a convicção que é parte dessa nova família. Pais adotantes que se acham “caridosos”, ao qual requerem gratidão, impedem seus filhos de viverem sua própria história seus desejos e vontades.

Segundo Elena Andrei (2001), existem diferentes fases que, normalmente marcam a chegada da criança adotada na família: a primeira seria a do enamoramento, onde a criança se sente feliz por ter sido aceita naquele núcleo familiar e idealiza com fantasias aquela família, e os pais, por outro lado, estão encantados com ela. A segunda fase é a raiva e decepção, designada pela busca de “marcar território”, onde a criança vai desenvolver o direito de dizer “não” que lhe fora até então negado. A terceira fase é do entendimento quando ela se sente disposta a refazer sua vida e retroceder, em busca de si mesma. E por fim, a quarta fase a do “insight amoroso” no qual ambos, pais e filho, realmente se adotam.

Referências: ANDREI, E. 2001. Adoção, mitos e preconceitos. In: F. FREIRE (org.), Abandono e adoção: Contribuições para uma cultura da adoção. Curitiba, Terra dos Homens, p. 105-116. 

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