dezembro 24, 2021

Carla Daniele dos Santos de Souza – CRP 03/19518

Amamentar é uma prática de bastante importância para o desenvolvimento natural da criança, fornece subsídios que reforçam o vínculo relacional mãe-bebê e favorece a saúde física e psicológica da díade, é um fenômeno considerado natural e fisiológico, mas no decorrer da história tornou-se fruto da tradição e da cultura.
          A organização mundial da saúde (OMS) preconiza que todo recém-nascido seja amamentado até os seis meses de vida unicamente pelo leite materno e que somente depois deste período a mãe insira outros alimentos em sua dieta. A prática é de total relevância para a promoção da saúde da mulher, como também do filho e fornece nutrientes essenciais para que ocorra um desenvolvimento satisfatório, previne doenças crônicas, respiratórias e gastrointestinais como também, diminui consideravelmente o índice de mortalidade infantil (SOUZA, et al., 2013).
        Bebês que começam a amamentar logo após seu nascimento e que não tem outros alimentos inseridos em sua dieta, têm chances de mortalidade neonatal reduzidas significativamente. Sendo assim, o aleitamento materno se executado da maneira correta, até os seis meses, pode salvar 1,3 milhões de vidas ao ano, diminuindo em até 65,6 % o número de mortes causadas pela não amamentação adequada (OLIVEIRA, et al., 2015 apud MACHADO, 2016).
        De acordo com pesquisas realizadas no Brasil apenas 33% de mães amamentam seus filhos exclusivamente pelo leite materno até os seis meses de vida, e estes dados diminuem ainda mais em se tranando de mães adolescentes, que neste caso, os números caem para 25%. Sendo que, existe uma maior prevalência de mães que amamentam nas regiões Norte e Nordeste.
        Segundo estudos realizados em algumas cidades brasileiras, os fatores que mais se destacam como sendo contribuintes para um baixo índice de mães adolescentes que não amamentam da maneira correta, exclusivamente até os seis meses, são: baixa renda familiar, baixo nível de escolaridade, falta de incentivo por parte da rede de apoio, e instabilidade conjugal (ARAUJO, et al., 2015).
      A maternidade, para muitas mulheres, torna-se um período de grande idealização e fantasia, expectativas são depositadas na espera do filho e muitas vezes tudo ocorre da maneira esperada. Porém, para outras mães, acontece de forma contrária e nada corresponde ao idealizado. Sendo assim, amamentar torna-se uma tarefa bastante delicada, e nada prazerosa.
        Pesquisas apontam que o hábito de amamentar está diretamente associado a prevenção de algumas doenças, diminuindo o número de mortes em mulheres causadas por câncer de mama e de ovário, por exemplo e diminui consideravelmente a probabilidade dessa mãe manifestar sintomas depressivos no pós-parto.
        Apesar de todas as vantagens ofertadas pelo ato de amamentar muitas mulheres não conseguem realizá-lo. Isto ocorre, por algumas dificuldades psicológicas que estão diretamente relacionadas a suas crenças, como acreditar que seu leite é fraco, ou que não é capaz de amamentar, entre outras, como dificuldades de ordem física, que se associam as mudanças causadas em seu corpo, seios muito cheios, mastite, bico rachado etc.
      É válido ressaltar que, o aleitamento materno pode oferecer diversos benefícios tanto para a saúde da mãe, quanto para a saúde do bebê. Mas, para que isto ocorra o momento precisa ser prazeroso para os dois (MACHADO, 2016).

REFERÊNCIAS 

MARANHÃO, T.H et al. Fatores associados ao aleitamento materno exclusivo entre mães adolescentes. Caderno de Saúde Coletiva, v.23, n.2, p.132-139, 2015. Disponível em: doi: 10.1590/1414-462X201500020072

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UNISC. Aleitamento materno: crenças e intercorrências que interferem no ato de amamentar. Disponível em: https://repositorio.unisc.br/jspui/handle/11624/1367. Acesso em: 26 out. 2021

SOUZA, C. C. D. et al. A HISTÓRIA DA AMAMENTAÇÃO VERSUS A HISTÓRIA DA MAMADEIRA: THE HISTORY OF BREAST-FEEDING VERSUS THE HISTORY OF BOTTLE-FEEDING. Revista Multidisciplinar da Saúde, Jundiaí-SP, v. 5, n. 09, p. 60-73, /2013.

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