fevereiro 25, 2021

Texto: Shayene Vailant Mariano – CRP 08/21132

O período de gestação é considerado um momento potencial de crise, mesmo quando desejada pela família, pois é uma fase de transição. É possível observar durante a gestação o despertar de sentimentos ambivalentes entre amor e ódio; querer e não querer estar grávida ou o bebê, isso se deve às incertezas e mudanças próprias desse período.

Desejar uma gravidez é diferente de desejar ser pai e mãe, e com a notícia de uma gestação as dúvidas e medos podem surgir e ser intensificados, pois há uma desconstrução do campo da fantasia abrindo espaço para a realidade. O sentimento de ambivalência pode estar presente em diferentes momentos, um deles é quando, por exemplo, a mulher está diante de uma gravidez inesperada e verbaliza seu desejo em entregar o filho em adoção logo após o seu nascimento, no entanto, leva a gestação até o final seguindo as intervenções e recomendações médicas necessárias.

Nesse contexto, a mulher apresenta dificuldades em lidar com a situação,
provocando nela medo e culpa. Ao mesmo tempo em que ela deseja cuidar do bebê seguindo um pré-natal e recomendações médicas para cuidar da saúde do bebê, ela não deseja ficar com a criança e por isso já anuncia a entrega legal.

O ódio pela gravidez que ocorreu em um momento inoportuno (por exemplo: sem o apoio do parceiro ou vida profissional em ascensão), e o amor pelo filho, mesmo sabendo que não terá condições de criá-lo, configuram um tipo de ambivalência vivido pela mulher em gestação.

O psicólogo perinatal auxilia nesse processo de reconstrução de sua imagem corporal e identificação de sentimentos contraditórios. Proporcionar um espaço favorável para externalizar sentimentos que podem ser vistos como “maus” pelos outros, é acolher a demanda e trabalhar para promoção do autoconhecimento e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida.

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