março 18, 2022

Por Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

A psicologia perinatal é muito nova. Vai datar mais ou menos de dois mil e sete. Então só por volta de dois mil e sete é que começa a surgir essa nomenclatura. Profissionais utilizando muito mais o termo, psicólogos indo para a clínica e focando nesse nicho, usando exatamente esse tema.

No entanto, é importante eu dizer aqui para vocês que a área que estuda a relação mãe-bebê é muito, mas muito mais antiga que isso.

Nós tivemos aí os primeiros interessados em estudar a relação mãe e bebê dentro da psicanálise. Sim, a psicologia que vai estudar a relação mãe-bebê todo mundo que passou pela universidade sabe muito bem que nasceu da psicanálise.

São os teóricos da psicanálise que se interessaram em estudar sobre a relação mãe- bebê. E são esses estudos que vão mostrar a importância da saúde mental materna. Que mostram que existe toda uma relação, uma relação psicológica, uma relação inconsciente, uma relação emocional, e sim, isso vem dos psicanalistas.

Mas a psicanálise então é a melhor abordagem para trabalhar com a psicologia perinatal? Não. A história mostra para a gente esse percurso, ela nasce da psicologia psicanalítica, mas não termina nela.

Percebam que existe, desde o início da década de setenta, os primeiros livros sobre esse assunto surgindo. No ano de dois mil e sete começa a ter esse nome, se espalhar, e os primeiros cursos ainda na década de oitenta, mas todos esses cursos até dois mil e dez mais ou menos são voltados para a psicanálise.

A gente acabou construindo a ideia de que psicologia perinatal é uma área da psicanálise. Ficou essa crença, essa falsa ideia, esse mito de que psicologia perinatal é coisa de psicanalista. Mas o fato é que a partir do ano de dois mil e dez outros profissionais de outras abordagens começaram a ter contato com informações relacionadas a psicologia perinatal.

E aí então esses outros profissionais que começaram a ter acesso, inclusive essa literatura da psicanálise, eles começaram a perceber que eles poderiam também trabalhar com a psicologia perinatal dentro da sua própria abordagem. A Psicologia perinatal é muito recente, é muito nova e nós estamos em movimento, nós estamos em construção. Isso significa que não existe uma melhor abordagem para trabalhar com a psicologia perinatal.

É verdade que essa área passou muito tempo nas mãos de psicanalistas, os primeiros livros e os primeiros cursos foram ofertados por psicanalistas para psicanalistas. Hoje a realidade não é mais essa. Hoje a gente tem cada vez mais pessoas de várias abordagens atuando nessa área.

Às vezes as pessoas falam assim: “ah, eu sou da comportamental e está difícil encontrar material para estudar perinatal”. Está difícil o material porque as pessoas têm o costume de buscar livros. E livro não é a melhor referência científica. Existe uma crença, mesmo na academia, mesmo informadas que o livro é o suprassumo da coisa e não é. O suprassumo da coisa é artigo científico. Eles têm um peso de cientificidade muito maior do que os livros. Então, hoje tem muito artigo publicado nas mais diferentes abordagens.

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