outubro 26, 2020

Por Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

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Com um grupo de gestantes, é muito importante acolher as emoções e transmitir informações de qualidade baseadas em evidências científicas para uma melhor preparação da maternidade.

O objetivo, para alguns grupos, é o de empoderar as mulheres, haja vista que o conhecimento e às orientações sobre esse período diminuem o estresse, a ansiedade e os medos.

O grupo também é um meio de troca de experiências e aprendizados entre as gestantes, uma vez que não se sentem sozinhas, mas vêem que outras mulheres também passam por emoções e situações semelhantes às suas.

No grupo é possível trabalhar questões genéricas de orientação, permitindo espaço para partilhas e trocas de conhecimentos o que produz o efeito psicológico da diminuição de alterações emocionais.

Ao iniciar um grupo de gestantes é importante saber que dependendo de onde for realizado, o psicólogo poderá precisar mostrar para as gestantes e para a própria equipe de saúde sobre a importância da atenção psicológica na perinatalidade, compreendendo essa explicação não como algo negativo, mas como uma oportunidade para levar conhecimento onde ainda não se compreende a importância e forma de atuação do psicólogo perinatal. 

O profissional que organizará e conduzirá o grupo deve estar atento e tomar os cuidados necessários para que a formação do grupo de gestantes seja eficaz.

O número ideal é de 6 encontros, que costumam ser suficientes para que as informações importantes sejam passadas, as dinâmicas sejam aplicadas, o bebê não nasça durante o processo, ou aja o abandono do grupo.

 Os encontros devem ocorrer em grupos homogêneos, ou seja, todas as gestantes devem estar no mesmo trimestre gestacional, ou no segundo trimestre ou no terceiro; sendo o segundo trimestre o ideal para o grupo, pois no primeiro a preocupação de várias das gestantes são outras como o descobrimento da gravidez, o aborto, a ambivalência e aceitação. Já no terceiro trimestre há o risco do bebê nascer no meio do processo perdendo assim a eficácia do grupo.

Quando o grupo não é homogêneo o profissional acaba trabalhando com gestantes que estão vivenciando momentos diferentes, devido às características dos trimestres.  Por exemplo, enquanto a gestante do primeiro trimestre está mais envolvida com a descoberta da gravidez, já a gestante do segundo trimestre está pensando em coisas como o sexo do bebê, e a do terceiro trimestre possivelmente estará preocupada com as questões do parto; ou seja, cada uma vivendo sensações e momentos distintos o que exige manejo e conhecimento para conduzir o grupo. 

É importante trabalhar temas como as mudanças biopsicossociais, parto, pós-parto, e as alterações emocionais, explicando o que são, a importância da rede de apoio, os benefícios da amamentação exclusiva, desenvolvimento infantil o que é esperado e não esperado e instruir sobre as práticas educativas parentais. 

Ao iniciar o grupo, o psicólogo pode aplicar instrumentos como apoio para compreender quais são os pontos em que as mulheres mais precisam de orientação e auxílio, ou até mesmo para identificar a necessidade de encaminhamento para psicoterapia individual ou para outros profissionais. Além disso, os instrumentos podem medir o nível de alterações emocionais caso houver, e se tais níveis diminuíram após a passagem pelo grupo de gestantes. 

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