fevereiro 20, 2021

Texto: Andressa Cristina Trevisan – CRP 08/27579

O período da gestação é inevitavelmente um momento de vivência
única, tomado por inúmeras transformações físicas, emocionais e psicológicas. Uma das principais características deste período é a ternura e o início da construção do vínculo mãe-bebê (OLIVEIRA; VOLPI, 2013).

A Psicologia corporal entende que a formação do vínculo intrauterino é
um processo bio-psíquico, que estende as transformações ao psíquico. Essa
formação compreende um processo complexo, porem sutil que se revela
necessário para o feto, que precisa sentir-se desejado e amado durante seu
desenvolvimento (OLIVEIRA; VOLPI, 2013).


As mudanças experienciadas pela mãe durante a gestação precisam
ser o mais saudável e harmoniosas possível, e em casos em que há a perda do bebê, faz-se ainda mais importante o acompanhamento psicológico para que a mãe tenha um lugar de acolhimento, escuta e também de aprendizado sobre si e seu corpo e vivência do luto (OLIVEIRA; VOLPI, 2013).

A Psicologia Corporal traz uma preocupação não somente com o
emocional e psíquico da mulher, mas também leva em consideração as
mudanças e bloqueios corporais vividos por esta. Bloqueios e traumas que
poderão estender-se por toda a vida se não forem trabalhados em movimentos e técnicas específicas, nas quais a Psicologia Corporal mostra-se eficaz.

A elaboração e a vivência do luto perinatal é um assunto
particularmente difícil de ser discutido abertamente, pois na sociedade atual, é um assunto a ser evitado. A angústia desse momento doloroso é em geral racionalizada, provavelmente porque foge à regra da ordem natural da vida e interrompe as expectativas, sonhos e planos pessoais e familiares que iniciam com a notícia da chegada do bebê.

É presente ainda o sentimento de fracasso da mãe, tendo em vista a impossibilidade de a mesma utilizar-se de sua capacidade maternal. É importante reconhecer que para a mãe, é um momento de possível afastamento social e ainda de desenvolvimento de um quadro de somatização, este fenômeno pode ocorrer em um movimento materno de dificuldade de separação entre ser – ou ter sido – mãe e o bebê morto, ou ainda sintomas mais graves como fantasias suicidas ou sensação de enlouquecimento
(DUARTE; TURATO, 2009).


A importância da rede de apoio em momentos de perda gestacional
ainda é escassa no Brasil, porém demonstra ser de suma importância para que as mulheres possam falar sobre o ocorrido, expressar seus sentimentos e sensações sobre a perda do bebê e ter o sentimento de acolhimento, ao invés de sentirem-se sozinhas e pressionadas para que esqueçam a perda e sigam vivendo sem dar a devida importância e atenção ao processo de luto e rituais de enlutamento específicos (DUARTE; TURATO, 2009).

Referências
DUARTE, Claudia Aparecida Marchetti; TURATO, Egberto Ribeiro.
Sentimentos presentes nas mulheres diante da perda fetal: uma
revisão. Psicologia em Estudo, v. 14, n. 3, p. 485-490, 2009.
OLIVEIRA, Kelly Patrícia Santos; VOLPI, José Henrique. Luto materno do
desmame: uma leitura da Psicologia Corporal. VOLPI, José Henrique; VOLPI,
Sandra Mara (Org.). Anais. 18º CONGRESSO BRASILEIRO DE
PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Curitiba/PR. Centro Reichiano, 2013.
Disponível em:
http://www.centroreichiano.com.br/artigos/Anais_2013/OLIVEIRA-Kelly-VOLPI-
Jose-Henrique-Luto-materno-do-desmame.pdf >

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