abril 13, 2022

Por Renata Braga Pasini CRP 05/39471

Atualmente a palavra parentalidade vem sendo utilizada para se referir aos responsáveis pela criança, substituindo os conceitos de maternidade e paternidade. Esse termo é relativamente recente, por volta de 1970, e marca uma nova forma de organização familiar.

Antigamente as famílias se organizavam de forma vertical e hierarquizada, num sistema chamado patriarcado, onde o pai era o chefe e comandava a todos. No patriarcado as famílias não eram fundadas por laços afetivos, e nem as crianças tinham importância. Os pais pouco participavam de sua criação, os bebês ficavam com as “amas de leite”, e só voltavam para casa se sobrevivessem.

Posteriormente, veio uma nova forma de organização com a família nuclear burguesa, onde o poder do pai fica enfraquecido na medida em que o Estado se solidifica como autoridade reguladora. Nesse processo a maternidade recebeu uma nova significação social, pois a fim de se evitar a crescente mortalidade infantil, a mulher passou a ficar com as responsabilidade de cuidar da casa e dos filhos, no ambiente privado, e o pai responsável pela segurança e sustento, mais voltado para o mundo público.

Por essas e outras razões, ainda hoje no imaginário de pais e mães, é difícil abdicar da ideia da figura materna como responsável pelas crianças.

Nos mundo atual as configurações familiares tiveram muitas mudanças desde a família nuclear burguesa: as relações passaram a ser fundadas em afetividades, as uniões mudaram, o ambiente privado passou a ser mais controlado pelo público, as mulheres fazem parte do mercado de trabalho junto com os homens, e também são responsáveis pela manutenção financeira das famílias. E assim, a responsabilidade com os cuidados da casa e da criança também sofreram transformações.

Por isso, atualmente se usa o termo parentalidade, ao invés de maternidade ou paternidade, colocando o casal parental em condições iguais no que se refere as responsabilidades com a criação e educação de seus filhos.

Hoje sabemos da importância do par conjugal para construir uma imagem positiva das relações afetivas e sociais. No entanto, o que as pesquisas nos mostram, é que a participação do homem, ou do pai, nos cuidados com os filhos e com a casa, ainda é pequena.

Nas famílias atuais, as funções não são tão nítidas como era na família tradicional, a participação das mulheres no mercado de trabalho, não as redimiu dos cuidados com a casa e com os filhos. As novas configurações familiares, e os novos modos de relação, também modificaram as funções dentro da família. Como as funções de pai e mãe, perderam as definições do passado, vemos os responsáveis pelas crianças perdidos em seus papeis. Afinal, se ambos estão trabalhando, quem fica com a criança?

Isso requer que as famílias façam novos arranjos, de acordo com as suas peculiaridades e suas necessidades. 

Foi através do fortalecimento do Estado e da supremacia do saber científico, que a mulher ganhou uma importante função social. Quem passou a ser detentor do saber sobre a saúde foram os especialistas (pedagogos, médicos, etc), determinando quem, e como devem ser criadas as crianças.

No esteio dos especialistas, a psicologia fomentou, durante um tempo, a ênfase na relação da díade mãe/bebê como responsável pelo desenvolvimento da criança. Foram muitas construções teóricas a respeito da importância da mãe nos primeiros anos de vida do bebê, tais como “Mãe de Arame, mãe de pano” (Harry Harlow), Teoria do Apego (de John Bowlby), Imprinting (Konrad Lorenz), e muitos outros. Foram tantas teorizações, que uma critica comum é a pouca produção a respeito da importância da figura paterna para o desenvolvimento da criança. No entanto, o que temos até hoje em dados históricos, é a mãe exercendo a função de cuidar, e assim, como poderiam ter produções científicas em outro sentido, se ainda é recente e tímido o exercício da paternidade e da parentalidade.

Por esses motivos, hoje os pais ficaram mais perdidos na criação e educação dos filhos, não contam mais com um sistema onde as funções são pré-definidas, e se perdem em inúmeras teorias sobre a melhor forma de cuidar de seus filhos.

A psicologia da parentalidade veio trazer novas possibilidades para que os responsáveis construam suas próprias modalidades de exercer a função parental, respeitando suas necessidades e subjetividades.

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