julho 9, 2021

Por Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

Por que será que as pessoas questionam sobre a demanda em psicologia perinatal? Ao aprender o que é a psicologia perinatal não podemos pensar que TODAS as pessoas também sabem. É fato que há uma porcentagem muito alta de mulheres no BRASIL com alterações emocionais significativas

Cerca de 25% das mulheres apresentam sintomas de DEPRESSÃO, ou seja, uma a cada quatro apresenta sintomas, sendo este dado a menor prevalência entre as alterações emocionais. Cerca de 35% das gestantes apresentam sintomas de ALTA ANSIEDADE e 60% sintomas de ESTRESSE. Esses números pouco se alteram no pós-parto, de 25% das gestantes com sintomas depressivos cai para 20%, os 35% de alta ansiedade cai para 29% e os 60% com sintomas de estresse cai para 49%.

Com esses dados percebe-se que na gestação os sintomas são mais elevados que no pós-parto e a presença destes no puerpério indica que provavelmente não houve tratamento durante a gestação fazendo com que os sintomas se ESTENDESSEM até o PÓS-PARTO. Apesar da diminuição, ainda assim são dados altos. A falta de avaliação da SAÚDE MENTAL MATERNA se deve a falta de profissionais com conhecimento específico sobre como identificar essas alterações em nosso país.

As mulheres passam pelo pré-natal obstétrico, mas não pelo psicológico, os médicos focam na saúde física e orgânica, mas pouco ou nada na saúde mental. Porém, quando os próprios psicólogos não sabem da existência da Área de Psicologia Perinatal e que esses podem oferecer uma avaliação psicológica neste período, fica difícil reivindicar POLÍTICAS PÚBLICAS, já que não basta contratar psicólogos para atender gestantes, mas é preciso contratar psicólogos com conhecimento específico nesta área. A falta deste profissional qualificado interfere na saúde mental de toda a população, pois as alterações emocionais na gestação e pós-parto influenciam na relação mãe-bebê e consequentemente no desenvolvimento infantil. A partir disso teremos um sujeito que pode ter uma vida inteira com problemas de saúde mental. 

Uma pesquisa realizada com gestantes usuárias de Unidades Básicas de Saúde identificou que cerca de 84% das gestantes desejariam receber atendimento psicológico caso a unidade lhe oferecesse. O psicólogo perinatal tem campo, o que precisa é do conhecimento seguro e científico sobre a psicologia perinatal para atuar. Infelizmente há predominância no pensamento do ACHISMO, uma sociedade em que muitas pessoas acreditam que só pelo fato de nascer mulher já sabe sobre maternidade.

Se você tem a sua clínica particular e está com dificuldades para conseguir clientes na área perinatal é importante questionar qual a sua formação na área, qual a duração do curso, quantos artigos e livros foram lidos. Um curso de um final de semana não é suficiente para intitular um profissional de psicóloga(o) perinatal
Ser psicóloga(o) perinatal envolve uma vasta dimensão e seriedade para atuar, há sequência, lógica, conceitos e conhecimentos muito importantes que levam tempo de aprofundamento. O psicólogo não pode sentar e esperar que as pessoas vão até ele, ou acreditar que ao colocar uma placa de psicologia perinatal no consultório as pessoas vão entender o que significa. É necessário um trabalho de DIVULGAÇÃO e CONSCIENTIZAÇÃO na POPULAÇÃO, mas antes disso é preciso que o próprio psicólogo que atuará saiba quem é o psicólogo perinatal, para isso é necessário primeiramente estudo e dedicação, pois há demanda.

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