julho 19, 2022

Por Shayene Vailant Mariano CRP 08/21132

Na atualidade, embora incomum, já se ouve falar sobre a importância da vida intrauterina e sua relevância para a vida adulta. Aquilo que era tão desconhecido, anterior ao advento da ultrassonografia e exames específicos, hoje é possível conhecer cada vez mais esse universo e seus desdobramentos. Portanto, é notório o impacto das vivências da relação mãe-bebê ainda em útero.

A percepção de mundo se dá desde as primeiras experiências, as vivências iniciais da vida são de grande importância e impacto na constituição do ser. Impacto esse que pode deixar marcas existenciais por toda a vida. A forma como o mundo é apresentado nesse primeiro momento, ou seja, a maneira como a relação bebê-mundo é mediada, torna-se de grande importância para a qualidade de estruturação do ser que encontra-se em desenvolvimento, sendo a mãe o principal mediador dessa construção inicial (JABOUR, 2019, p.4).

Durante os nove meses de gestação o bebê se conecta com o corpo da mãe, e esses dois corpos se fundem. Ao nascer há uma separação abrupta, e mãe-bebê sentem essa ruptura, não somente no aspecto físico, como também emocional, pois no percorrer da gestação o corpo-casa em que o bebê habita, transmite à ele todas as informações genéticas e emocionais de sua mãe. 

Após o nascimento o bebê necessita de cuidados essenciais, tais como, alimentação, roupas, higienização, e outros. Para além desses fatores, é preciso se tornar um sujeito, e isso acontece a medida em que vai se desenvolvendo, e reconhecendo que ele e a mãe são pessoas distintas. No entanto, antes de separar há uma fusão emocional de extrema importância. Nas palavras de Gutman (2020, p. 21): “Esse recém-nascido, saído das entranhas físicas e espirituais da mãe, ainda faz parte do entorno emocional no qual está submerso.” 

Essa fusão emocional do início proporcionará ao bebê segurança, para que a partir do estabelecimento do vínculo com a mãe, compreenda que é possível desenvolver outras conexões para além da figura materna. Cada criança tem o seu tempo para ir se diferenciando da mãe e assumir outras relações estáveis, mas isso será viabilizado dependendo da qualidade da fusão e separação.

Referências

Gutman, L. A maternidade e o encontro com a própria sombra: o resgate do relacionamento entre mães e filhos. 18ª Edição. Rio de Janeiro: BestSeller, 2020.

 Jabour, M. E. S. “O impacto da relação mãe-bebê na construção do vínculo afetivo.” 2019.

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