outubro 2, 2020

Por Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

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Quando a gestante apresenta alguma alteração emocional significativa há hormônios sendo liberados em seu organismo, sendo o cortisol um deles.

Centenas de pesquisas realizadas mostram que o estresse em altos níveis, ou seja, o estresse crônico ocasiona em grande liberação de cortisol na corrente sanguínea trazendo efeitos negativos para o desenvolvimento fetal.

Antigamente acreditava-se que a placenta era uma espécie de filtro que não permitia com que substâncias nocivas fossem passadas para o bebê, entretanto novos estudos indicaram que as substâncias nocivas passam via cordão umbilical e podem prejudicar o bebê, também chamado de efeitos teratogênicos.

Um dos principais efeitos do hormônio cortisol em grandes quantidades no organismo é o nascimento prematuro e baixo peso. O hormônio também pode causar redução da substância cinzenta no cérebro do feto, podendo ocasionar em problemas cognitivos, atrasos no desenvolvimento, aumentando assim a probabilidade de perturbações no sistema neurológico. 

Os estudos também associam que bebês com choros frequentes e que apresentam problemas de comportamento podem está relacionado às alterações emocionais significativas presentes em seu período gestacional. 

Os estudos que abordam sobre os efeitos nocivos das alterações emocionais no organismo grávido não tem a finalidade de culpabilizar a mulher, mas sim proporcionar aos profissionais da saúde que busquem meios e técnicas para evitar que isso continue ocorrendo, atuando na prevenção e na promoção de saúde. 

Profissionais que atuam com essa demanda precisam traçar estratégias que visem minimizar o sofrimento e evitar a cronificação dos sintomas no pós-parto. No atendimento psicológico clínico é importante que o psicólogo tenha a sensibilidade e o cuidado para não culpabilizar a gestante que muitas vezes já se sente culpada por não se sentir bem. 

Devemos acolher a mulher e por meio de métodos e técnicas de cada abordagem do profissional e também munidos do conhecimento em perinatalidade e parentalidade possamos intervir promovendo saúde mental auxiliando que a gestantes possa lidar com a sua situação que a angústia. 

Referências

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