fevereiro 15, 2021

Texto por: Andressa Cristina Trevisan – CRP 08/27579

Tudo se transforma na vida da mulher a partir do momento que ela
descobre que está grávida, seu corpo, sua mente, tudo está voltado para este
novo ser que está chegando. Após o parto a mãe tem que se doar mais
intensamente para essa vida que gerou, abrindo mão de si, pelo outro, um
outro que nesse momento depende totalmente dela.

O período do pós-parto traz consigo incertezas, dúvidas, cansaço,
alterações hormonais, emocionais, sociais e a esse momento chamamos de
puerpério. Nesse momento, o corpo da mulher está em um estado de
constante mudança em um caminho de retorno ao estado pré-gravídico. Já a psique da mãe se altera emocionalmente, mas que não retorna ao que era
antes, visto que passou da posição de filha para mãe, que seu meio modificou e que provavelmente a mesma passará também por um processo de desenvolvimento e construção de um novo papel em sua vida, o de mãe.

Por esse motivo é difícil determinar a durabilidade do puerpério do ponto de vista psíquico. A Psicologia Corporal tem seu movimento constante em busca do equilíbrio corporal e psíquico, dedicando-se ao estudo das manifestações da mente sobre o corpo e vice-versa, levando em consideração que ambos fazem parte de um único movimento energético que se manifesta no comportamento.

Eis uma oportunidade de alcançar uma vida equilibrada e saudável, tendo em vista o trabalho realizado no sentido de regular sua própria energia e por conseguinte seus pensamentos e emoções (VOLPI; VOLPI, 2003).

O movimento da Psicologia corporal dá-se como primordial para
compreender os meios não verbais da comunicação e estrutura-se em um
modelo corporal, partindo da observação do corpo, à investigação da história pessoal e à compreensão do caráter, sendo assim, eficiente em acolher a mãe neste período, em seus sentimentos regressivos (que a remetem ao seu estado e lembranças de sua infância) e auxiliará na ressignificação de sua própria história de vida, agora acompanhada por mais um filho (BOFF; ERTHAL, 2017).

O sentimento de medo perpassa a mente da mãe e os exercícios e a
psicoterapia corporal auxiliam a mulher a lidar com a mais recente separação, a separação física do bebê, que agora é um outro indivíduo com necessidades próprias.

Essa perda do controle sobre o bebê (que não está mais em seu
útero) é inevitável, mas não deixa de ser difícil para a mãe, que pode passar
por momentos em que praticamente a fazem perder o próprio controle ou a
capacidade de controlar seus impulsos (BOFF; ERTHAL, 2017).

Na psicologia corporal é primordial trabalhar a flexibilização dos pontos
tensionais, atuar na busca do bem-estar, da saúde mental e corporal, do fluxo energético da mulher através de exercícios específicos da psicologia corporal, acolhimento das queixas, poderão prover ferramentas para que a mulher sinta-se mais confortável e segura com as mudanças e assim buscar o reestabelecimento do fluxo energético adequado para seu maior conforto.

Referências:
BOFF, Manolla Goularte; ERTHAL, Rosana Rodrigues de Moraes. Possíveis
contribuições da Psicologia Corporal para o puerpério. In: VOLPI, José
Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) CONGRESSO BRASILEIRO DE
PSICOTERAPIAS CORPORAIS, XXII, 2017. Anais. Curitiba: Centro Reichiano,

  1. [ISBN – 978-85-69218-02-9]. Disponível em: <
    www.centroreichiano.com.br/artigos_anais_congressos.htm >

VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara. Reich: da psicanálise à análise
do caráter. Curitiba: Centro Reichiano, 2003.

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