Adriana Felipe Rodrigues CRP 17/4769

Com o avanço da medicina ganhamos muito em diversas áreas da saúde humana, isso é inegável. Na cena do parto não foi diferente. No entanto, as mulheres também acabaram perdendo, principalmente quando se trata do conhecimento e controle sobre o próprio corpo.

A entrada dos médicos-parteiros na prática obstétrica inaugurou, não só o esquadrinhamento do corpo feminino, como a produção de um saber anatômico e fisiológico da mulher, a partir do olhar masculino. Antigamente, os partos e seus cuidados eram realizados por mulheres conhecidas popularmente como parteiras-leigas. As quais tinham um saber prático e acompanhavam as mulheres durante a gestação, parto e puerpério (BRENES, 1991).

Hoje vivemos de certa forma um movimento para resgatar junto às mulheres o poder sobre o seu corpo tentando naturalizar novamente algo que é um processo fisiológico: a gravidez e o parto. Infelizmente, acabamos ouvindo muitos relatos de mulheres que sofrem violência obstétrica e outras que nem se dão conta disso, achando que certos procedimentos invasivos, dolorosos e constrangedores são necessários, quando, na verdade, não são.

Para evitar que violências desse tipo aconteçam e devolver às mulheres o poder e capacidade sobre seu próprio corpo, surge o plano de parto, ferramenta importante dentro do pré-natal psicológico que, além de preparar a mulher e tranquilizá-la a respeito do que pode acontecer durante o parto, também a empodera, fazendo com que ela consiga entender quais são os procedimentos necessários ou não, podendo assim tomar decisões mais conscientes a respeito do que deseja ou não durante o pré-parto, parto e pós-parto.

REFERENCIA

BRENES, Anayansi. História da parturição no Brasil, século XIX. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 2, ed. 7, p. 135-149, abr/jun 1991.

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