Por Danielle Santos Leandro Gomes de Souza. Psicóloga Perinatal (MaterOnline). CRP: 17/2102.

No ciclo vital da mulher, há três períodos críticos de transição que constituem fases do desenvolvimento pessoal e que possuem vários pontos em comum, esses são a adolescência, a gravidez e o climatério. Esses períodos são biologicamente determinados, caracterizados por mudanças metabólicas complexas e estado temporário de equilíbrio instável. Isso acontece devido às grandes perspectivas de mudanças envolvidas nos aspectos de papel social, necessidade de novas adaptações, reajustamentos interpessoais e intrapsíquicos, e mudança de alguns aspectos da identidade (MALDONADO, 2017). Independente de seu contexto social, idade, profissão ou estado civil, toda mulher está suscetível a adoecer emocionalmente durante os períodos críticos de sua vida e principalmente em fases de grandes mudanças como é a gravidez e o puerpério. Nesse sentido vale ressaltar que, a saúde mental materna afeta diretamente a mulher, o casal a família e principalmente o bebê, pois sua incidência é fator importante para o desenvolvimento e crescimento saudável dos filhos. A literatura científica apresenta as formas de adoecimento mais frequentemente estudadas pela psiquiatra e psicologia perinatal, e que serão abordados a seguir.

DISFORIA PUERPERAL OU BLUES

PUERPERAL

Também chamado de baby blues ou tristeza materna, que caracteriza-se por uma alteração emocional que acomete em média 80% das mulheres no período do pós-parto. Ocorre a labilidade emocional, ou seja, a mulher vai da alegria ao choro facilmente, é comum a mudança de humor que oscila ao longo do dia. Nesse momento também é esperado que a mulher se encontre emocionalmente abalada, muitas vezes pelo cansaço devido aos cuidados ao recém-nascido, pelos hormônios se regulando, são fatores que compõe esse período adaptativo.

Não é considerado um transtorno psíquico, é um fenômeno benigno, não precisa de tratamento medicamentoso e tem remissão voluntária. Surge a partir do terceiro dia e dura entre 2 a 3 semanas, não se estendendo aos 45 dias após o nascimento do filho.

Nesse momento o apoio do companheiro, da família e o esclarecimento com algum profissional perinatal podem diminuir dúvidas sobre os sentimentos presentes.

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Para Piccinini e Alvarenga (2012) o caráter conflituoso das mudanças experimentadas a partir do nascimento de um bebê pode representar um fator de risco para a depressão pós-parto. A ocorrência da depressão pós-parto se dá dias seguintes ao parto, seus critérios de avaliação são os mesmos que se avaliam a depressão em outro momento da vida, é chamada de depressão pós-parto pelo período especifico, o puerpério, ao qual a mulher se encontra.

Começa a ser considerada depressão pós-parto quando existe a presença de sentimentos de culpa, desvalia, alteração de humor, apetite e sono, ideação suicida, isolamento social, desatenção, falta de energia, desinteresse por atividades que antes lhe davam prazer.

Para Tung e Vasconcelos (2010) quando não tratada, a depressão pós-parto pode associar-se a prejuízos cognitivos e emocionais na criança. As mães deprimidas interagem menos com os filhos e têm ideias pessimistas em relação à prole e a maternidade. Os autores esclarecem que a depressão pós-parto permite a possibilidade de prevenção, uma vez que seu início é precedido por um claro marcador (o parto), há um período de risco definido para o início da doença e uma grande parte das mulheres com risco elevado pode ser identificada. Os fatores de risco estão presentes durante a gravidez e no pós-parto (TUNG; VASCONCELOS, 2010).

Para o tratamento da depressão pós-parto a psicoterapia tem alcançado resultados positivos para a qualidade de vida das mães, e dependendo da especificidade do caso, pode também ser aliada ao tratamento medicamentoso.

PSICOSE PUERPERAL

É considerado o transtorno de maior gravidade no puerpério, uma perturbação rara, porém grave e tem início comumente após a gestação. A mulher apresenta alterações no humor, desligamento da realidade, alucinações, rejeição ao bebê e muitas vezes enxerga o filho como uma ameaça aumentando o risco de infanticídio.

Sobre o estado psicótico, a psiquiatra, Raquel Soifer, destaca que acham-se presentes em todos os casos, em maior ou menor grau, as ideias depressivas e persecutórias, o desejo de afastar-se, o abandono. A sensação dominante é de haver perdido a própria personalidade e ser uma mera escrava do bebê do ambiente. (SOIFER,1980).

Tung e Vasconcelos (2010), sobre o tratamento, apontam que baseia-se obrigatoriamente no uso de psicofármacos. Episódios graves com ideias suicidas, catatonia ou quadros de mania, presentes na maioria das apresentações, em geral necessitam de internação. A psicose puerperal deve sempre ser encarada com urgência psiquiátrica e receber tratamento imediato (TUNG; VASCONCELOS, 2010). O apoio, compreensão e acolhimento dos familiares também são de grande valor nesse momento.

REFERÊNCIAS

MALDONADO, M. T. Psicologia da Gravidez: gestando pessoas para uma sociedade melhor. São Paulo: Ideias e Letras, 2017. PICCININI, C. A.; ALVARENGA, P. Maternidade e Paternidade: a parentalidade em diferentes contextos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012. TUNG, T. C.; VASCONCELOS, A. A. J. Psiquiatria Perinatal: diagnóstico e tratamento. São Paulo: Atheneu, 2010. SOIFER, R. Psicologia da Gravidez, Parto e Puerpério. Porto Alegre: Artes Médicas, 1980.

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