agosto 25, 2020

Por Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

9 EM CADA 10 CASOS DE SUICÍDIO PODERIAM TER SIDO PREVENIDOS!

 

No mês de setembro é realizada uma campanha de conscientização sobre a
prevenção do suicídio, conhecido como Setembro Amarelo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ter sido prevenidos.

FATORES DE RISCO

Não há dados de prevalência de ideação suicida no período gravídico
puerperal no Brasil, mas uma pesquisa realizada com 358 gestantes indicou que 7,8% dessas apresentaram ideação suicida (Fonseca-Machado et al., 2015). Uns dos fatores de risco para a ideação suicida no período gravídico-puerperal são: gravidez na adolescência, gravidez não desejada, ter passado por violência física e sexual na infância, sofrer violência domestica e aborto legalmente restrito, além de transtornos mentais agudos nesse período.

O OLHAR PARA A GESTANTE

Para todos os casos citados é possível o oferecer ajuda profissional e
social, mas para isso é importante discutir o assunto, é importante que as pessoas possam mudar seu olhar sobre a grávida e puérpera, é necessário entender que esse é um momento potencial de crise, que pode acarretar em riscos graves para a mulher como para a criança. No geral os sujeitos demonstram sim que algo não está indo bem, há mudanças
no comportamento do sujeito, às vezes muito sutil, mas há mudanças. Muitas vezes o sujeito com pensamento suicida fala com seus familiares, amigos e até com profissionais sobre o seu pensamento, que pode desta forma ser levado a sério esse sentimento e inicia-se então um cuidado maior com esse sujeito, recebendo apoio familiar e profissional, como também pode ocorrer negligencia por parte desses, fazendo com que o sujeito com a ideia suicida sinta que não tem mesmo com quem
contar, não tem apoio, e não encontra soluções para conseguir encarar as
dificuldades vivenciadas e pode sim recorrer ao suicídio como atitude extrema.

O PENSAMENTO SUICIDA

Em uma pesquisa realizada por Reis et al. (2015) com gestantes com sintomas psiquiátricos não psicóticos identificou que 61% delas apresentavam alta ansiedade e ideação suicida. Dentre os sintomas psiquiátricos a depressão e a psicose são os que apresentam maior frequência entre os seus sintomas, a co-morbidade de
pensamento suicida, no período gravídico puerperal. A psicose puerperal é um transtorno raro e com uma prevalência de um caso a cada 1000 partos, já os sintomas de depressão são mais frequentes com prevalência de 20% na população de mulheres que estão vivenciando o período gravídico puerperal.

MUITAS MÃES PRECISAM DE AJUDA

A gestação e o pós-parto são sim momentos de muita alegria para uma boa
parcela das pessoas, entretanto, há também um elevado número de ansiedade, preocupação e estresse em decorrência desses fatos, por isso, é indispensável um olhar responsável dos profissionais da saúde que atendem essa população, esses profissionais não podem ser negligentes idealizando o fenômeno da maternidade, a gestação e pós-parto são sim um fator de risco para alterações emocionais importantes no ciclo de
desenvolvimento feminino que não podem continuar a ser negligenciada pelos profissionais.

 

A  IMPORTÂNCIA DA REDE DE APOIO

Quanto aos familiares e demais redes sociais é preciso oferecer apoio as
gestantes e puérperas, acolher suas emoções sem julgamentos, oferecendo suporte para que a mulher consiga sentir–se amada, acolhida e protegida, superando os pensamentos suicidas decorridos das dificuldades sentidas e vividas. Criar espaços nas comunidades onde possa haver discussões e reflexões a cerca das questões da maternidade pode ser uma iniciativa para o inicio de um contexto de prevenção.

Referencias

FONSECA-MACHADO, M. O et al. Sob a sombra da maternidade: gravidez,
ideação suicida e violência por parceiro intimo. Rev. Panam. Salud Publica., v.37, n.4/5, 2015. In: http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v37n4-5/v37n4-5a11.pdf REIS, L. T et al. Rastreamento de sintomas psiquiátricos não psicóticos entre gestantes de um município do estado de Mato Grosso. J. Nurs. Health., v.5, n.2, p. 141-152, 2015.

 

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