janeiro 29, 2021

Um artigo publicado em uma revista médica, em abril de 2020, apresentou dados sobre as taxas de cesáreas no Brasil. Essa foi uma pesquisa epidemiológica, ou seja, significa que foi analisado um número muito alto de partos no nosso país, considerando os nascimentos ocorridos de 2014 até 2017 em todo o território nacional.

Nesse período, foram registrados um total de 11774665 nascidos vivos e os autores desse estudo investigaram os tipos de nascimento, identificando que, de 2014 até 2017, 56% dos partos no país foram via cesariana. A cesárea é um procedimento cirúrgico com indicação clara de salvar a vida da mãe ou do bebê, mas, que no Brasil tem acontecido de uma forma totalmente desproporcional e descabida.

Quando percebemos que mais da metade dos nascimentos no país de 2014 a 2017 foram desta via, notamos que o procedimento não está sendo mais realizado para salvar vidas e sim, como uma conveniência médica, porque quem pode fazer a cirurgia são só os médicos, nenhum outro profissional pode fazê-la.

Essa conveniência médica traz uma série de prejuízos para a saúde da mãe e do bebê. Além da relação de vínculo afetivo, isso vai interferir no desenvolvimento infantil, no desenvolvimento de práticas parentais e em uma série de fatores.

Os pesquisadores identificaram, ainda, que quanto mais desenvolvida é a região do país, mais aumenta a probabilidade de ser uma cirurgia cesariana, ou seja, nas regiões mais ricas do país, como o sudeste, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com mais acesso à tecnologia, o número de cesarianas é maior. 

É importante notarmos também que o maior número de cesáreas está acontecendo em grupo específico aqui dentro do nosso país.

Outro fato a ser destacado sobre os dados, é que os autores conseguiram medir o número de cesáreas no Brasil com o restante do mundo e as nossas taxas estão tão elevadas, que estão aumentando a taxa global em 1%.

Enquanto a taxa de nascimentos de brasileiros via cesárea é de 56%, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que não mais do que 15% de nascimento da população geral devem ocorrer desta maneira. A luta para diminuir as taxas de cesárea é mundial e no Brasil, precisamos de mais políticas de saúde para diminuir para incentivar o parto normal.

ReferênciaRUDEY, E.L.; LEAL, M.C.; REGO, G. Cesarean section rates in Brazil: trend analysis using the Robson classificationsystem. Medicine., v.99, n.17, p e19880, 2020. https://journals.lww.com/md-journal/Fulltext/2020/04240/Cesarean_section_rates_in_Brazil__Trend_analysis.70.aspx

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