agosto 9, 2021

Por Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

A oportunidade de mãe e bebê se enamorarem nem sempre acontece na primeira hora. Em algumas situações, estar com o bebê na primeira hora é inviabilizado, por exemplo, diante a um parto com INTERCORRÊNCIAS, INTERNAÇÃO, HEMORRAGIAS, PREMATURIDADE e outros, pode impossibilitar esse momento inicial mãe-bebê.

Quando o parto ou cesariana ocorrem bem, é importante que mãe-bebê experimente o momento de contato pele a pele, e se possível a presença do pai também. Ao nascer, nos momentos iniciais, tanto mãe quanto bebê estão em EQUILÍBRIO HORMONAL e estes estão potencializados para a vinculação, não como instinto, mas como reações orgânicas que promovem a VINCULAÇÃO.

O ser humano é uma ESPÉCIE que responde ao fator cultural, os hormônios são fatores a mais dados para a nossa espécie e que FACILITAM – quando em condições normais, culturais e psicológicas – a POTENCIALIZAÇÃO do efeito para a formação da vinculação. A OCITOCINA, por exemplo, é conhecida como o hormônio do amor, é liberada no momento do parto para facilitar a vinculação, porém NÃO GARANTE esta vinculação, pois do contrário não haveria mães com depressão e mulheres que colocam o bebê para a adoção, isso significa que se não garante para todos da espécie, então estamos permeados pela CULTURA e não pelo INSTINTO.

Quando não é possível a vinculação na primeira hora, não significa que a díade mãe-bebê não desenvolverá mais o apego e vinculação, embora seja uma das principais horas e sempre que possível deve ser ESTIMULADO, mas não são todas as situações que permitem essa POSSIBILIDADE.

O bebê já nasce com uma PRONTIDÃO INATA a despertar no outro o desejo de CUIDAR, por meio de comportamentos de dependência, choro, formato do rosto, olhar que busca por pessoas e demais traços que levam o outro ao desejo de cuidar. Geralmente a mãe é a cuidadora principal do bebê, porém, casos em que não seja possível a presença materna, conforme já citado acima, a figura do pai poderá realizar esse PAPEL. Caso também não haja o pai, outro adulto poderá realizar este papel como avós, tios e outros dependendo da configuração familiar.

A pessoa que ficará responsável pelo bebê é uma das primeiras que o bebê desenvolverá a vinculação. É importante saber que o bebê não se vincula somente com a mãe biológica, mas até mesmo com a enfermeira que estiver cuidando dele.

Em caso de ADOÇÃO, a instituição que acolher o bebê tem a responsabilidade de promover o bem-estar deste bebê investindo nele a humanidade, afeto, atenção, carinho e um nome, sendo esses, fatores FUNDAMENTAIS para o DESENVOLVIMENTO CEREBRAL. Após a adoção a criança poderá desenvolver vinculação aos pais.

Sendo assim, a vinculação na primeira hora não é inerente ao ser humano, por isso PODE ocorrer em momento seguintes. É de EXTREMA IMPORTÂNCIA saber que os três primeiros anos de vida da criança são PRINCIPAIS para a vinculação e desenvolvimento da troca de afeto e formação de relacionamentos interpessoais mais saudáveis. A desproteção afetiva nos três primeiros anos de vida da criança faz com que o cérebro humano NÃO ENTENDA o que é receber e oferecer afeto posteriormente, prejudicando o seu desenvolvimento.

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