outubro 19, 2020

Por Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

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A violência obstétrica é uma realidade mundial a qual os profissionais da saúde vem lutando para mudar. Há mulheres que não fazem ideia de que já sofreram uma violência obstétrica, pois em nossa sociedade acredita-se que o nascimento está associado a dor, portanto parir é considerado como algo ruim, desconfortável e dolorido. Essa ideia faz as pessoas acreditarem ser normal coisas que não são.

Segundo a pesquisa Nascer no Brasil realizada pela Fiocruz, a cada 4 mulheres 1 sofre violência obstétrica, entretanto esse número apesar de alto é caracterizado por denúncias de violências nítidas, passando despercebido a violência obstétrica velada, que ocorre mas não é denunciada por falta de conhecimento sobre o assunto. 

Nem todos sabem a realidade deste assunto no Brasil, mas procedimentos sem evidências científicas coloca diariamente a vida de bebês e mulheres em riscos por falta de conhecimento e competência de inúmeros profissionais. Atendimentos pautados em mitos e preconceitos é o que mais contribui para a violência obstétrica, onde a população não tem a menor ideia de que o que está passando no momento do parto é uma violência que pode gerar consequências.

A violência obstétrica pode ocorrer de forma física, verbal, psicológica, sexual e simbólica, pode ser cometida por qualquer profissional – não especificamente o obstetra – mas todo aquele que violar a mulher no período de gravidez, parto e pós-parto.  Os profissionais precisam saber o que é esperado e normal no momento do parto e o que não é, o que se trata de evidências científicas e o que não é, para que possam orientar seus pacientes e clientes levando informação de qualidade.

Toda gestante perante a lei tem direito a um acompanhante no momento do parto, entretanto esse direito não é garantido a ela em diversos hospitais públicos e privados, com argumentos de que não há espaço ou estrutura para receber uma pessoa a mais. Há hospitais particulares que cobram para a entrada do acompanhante, sendo a negação desse direito, uma violência obstétrica.

A ocitocina sintética, comumente chamada de sorinho, não deve ser utilizada indiscriminadamente a indução da ocitocina aumenta as contrações causando maior dor nas mulheres e muitas vezes é colocado na parturiente sem o seu consentimento.

A episiotomia, também conhecida como “pic”, é o corte no períneo para a passagem do bebê é feito como procedimento padrão e corriqueiro, entretanto também é considerado violência obstétrica, uma vez que, além de não haver evidências científicas, acarreta em riscos de infecções e futuros problemas para essa mulher.

Outro procedimento caracterizado como violência obstétrica é deixar em jejum a parturiente de gravidez de não risco onde será realizado um parto normal, a mulher precisa de energia para manter a força necessária para um Trabalho de Parto. A manobra de Kristeller, procedimento o qual um profissional sobe na barriga da parturiente pressionando-a para baixo, embora seja proibido nos hospitais devido aos malefícios trazidos para mãe e bebê, continua ocorrendo para muitas delas.

Precisamos falar sobre violência obstétrica cada vez mais, levando informação para toda a população, ensinando as mulheres a fazer denúncias e exigindo que os profissionais estudem e se atualizem constantemente para oferecer atendimento de qualidade, diminuindo assim as ocorrências de violência obstétrica em nosso país.

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